terça-feira, 10 de maio de 2011

domingo, 8 de maio de 2011

No me supistes...

Preciso de ombros
-me empresta?
Acordei sem senti-los
não consigo me suster

Preciso de olhos
-guarda pra mim?
Não quero pô-los
ao menos até a cena mudar

Preciso de boca
-pode me devolver?
Perdi-a toda para ti
Para já não te ver

Preciso esquecer
-me ensina?
Esse parece seu dom:
Piscar e já não se envolver

Daniel Aguiar.

(Des)ligar/(Re)ligar

(en)volto no verso travesso
sentindo o momento, tropeço
só mais um passo
atravesso
do outro lado o que houve
da esquina me (des)peço

Não olhar para trás
como?

Daniel Aguiar.

domingo, 1 de maio de 2011

Circo e Circo

Maria não quer se importar.
A louça enche a pia.
A sala mal varrida.
A casa uma bagunça.
Mas Maria não quer se importar.
O filho com os amigos.
[na rua, dizem que não é coisa boa]
O marido
[que deveria ser o exemplo
Continua a toa. Na boa. Vivendo do dinheiro da mulher.
Mas se questionam,
Argumentam, perguntando o porquê,
A dona nem se irrita,
Não se incomoda.
Ainda convida pra sentar.
É que hoje o time ta em campo...
E Maria não quer se importar.

Daniel Aguiar

terça-feira, 19 de abril de 2011

Igual que ayer

Não digo com precisão o momento onde a paixão arrebatadora ameaçou despedir-se. Nem mesmo sei se ameaça houve. Fato é que certa noite ao repousar meus pensamentos no travesseiro eles não quiseram repousar dentro de mim. Mais de primaveras de amor. Mais de primaveras de carícias salutares. Mais de primaveras e a nova barreira geográfica para nos separar. E eu não conseguia mais sentir aqueles belos olhinhos me procurando por onde quer que eu fosse. E os olhinhos eram os seus. O frenesi, sempre meu. A epifania, ah, essa era de quem se achava em direito. O problema foi o direito. Quem deu direitos ao amor para se apoiar em nós? Mas o amor era ‘nós’. E nós éramos um sonho; realizado. Realizando-se. Acontecendo em juras, promessas e pormenores que saem tão docemente da boca de casais apaixonados. O problema foram os pormenores. Quando não há acordos claros, senão o de amar enquanto o amor houver, tudo soa tão mais razoável... Ledo engano. Lindo engano. Ao menos até se saber tratar-se de um engano. A culpa foi o engano. As emoções gritando alto, rogando para serem atendidas, correspondidas. E não se pode raciocinar os fins quando nos meios se misturam tantos sentimentos. A culpa foi dos sentimentos. Um turbilhão de sensações. Um trilhão de sentimentos. A alegria no ver. O apresso. A inquietação no toque. A tristeza no ‘até logo’. A euforia no ‘estou de volta’. O amor em si. É isso. A culpa foi do amor. E este réu é condenado por intrometer-se em nossas vidas e nelas confundir tudo quanto um dia se pensou ter certeza.
Não. O amor não teve culpa. O amor não traz em si a culpa ou qualquer outro mal. Não na essência. A culpa foi não haver culpa para haver raiva e disfarçar a dor. A dor sim; havia. Houve por muito tempo. Uma dor de dar dó ré mi fá sol... E morrer num choro em sol. Um choro soluçante em mínima pontuada. Dor que só (vi)vendo. Mas assim não fosse, aquilo que era tão belo, com o (contra) tempo deixaria de ser amor. E já não valeria o sonho, pois o que não é amor acaba. E o que se passou terminou, mas sem deixar de existir; posto que sempre há de ser amor.
Tudo estaria bem. Não fosse o vazio que entrara logo que o amor se esvaia.

Daniel Aguiar.

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