A vida, as pessoas, o caminhar, a ação e a reação, o despertar, a decisão, a cautela, os movimentos, o existir... Tudo inspira, suspira, e por fim, expira. Ou algo parecido.
domingo, 13 de janeiro de 2013
(Á)Agora?
Sai-a-fora do seu corpo (ao lado da copa) na mesa de juntar nossas alegrias espalhadas no tapete na noite anterior. Vem pro canto na cozinha ferver a melodia que nasce do seu bom dia quando o sol tenta a / cor / dar. Na janela, eu vi de perto, tem preguiça, chão sem teto e aquela cor que brilha nos seus olhos. Vem sem tanto. Só não vem sem nada.
terça-feira, 19 de junho de 2012
A moça e o sorriso
Todo dia ela saia de casa e esquecia um sorriso largado na
cômoda. Seguia pela avenida partida por um canteiro (desses que falam de amor
em semicolcheias com ligaduras pelos bares). Un cantautor que por una cabeza
havia roto um coraçãozinho tímido. Ela seguia, seguia:
-Se guia – sua mãe sempre dizia.
Caminhando ela via passar a vontade, a vertigem, a virtude.
A vicissitude. Caminhando ela chegava – essa era a palavra de ordem. E talvez
por isso (e só por isso) ela caminhava. Desse jeitinho ela ia chegando onde
precisava. No banco. Não no que tem dinheiro. Naquele da praça que tropeçava no
pé dela sempre que ela passava. Ali ela ficava. Adormecia olhando o céu, e se
lembrava. De quê mesmo? Ela nunca soube, mas se lembrava com lágrima no fosco
verde do seu olhar. Fosca era a vida.
Seguia, seguia, e chegava. Trabalhava. Tentava um sorriso do
canto da boca, mas nada saía. A cômoda sorria. Gargalhava com a cama. Sapateava
na escada. Ou era uma salsa? Ou era um erro? As pernas faziam um laço pra
presente e ela tremia. Temia, pois era hora de caminhar. E ela caminhava.
Seguia. Sorria?
-Só ria! – os magos na rua diziam.
Era hora de céu alaranjado, AzulOscuroCasiNegro. Ela
caminhava. Queria do brilho luar, embrulhar, presente fazer. E talvez por isso
(e só por isso) ela caminhava. E sempre chegava. A casa estava lá. O portão, o
sofá, o corre-dor, a cama, a cômoda. Ela olhava pro sorriso e pensava:
-Esqueci – tentando se convencer.
Então ela se lavava. Olhava no espelho e se penteava.
Ajeitou o sorriso no rosto. Deitou na cama, fechou os olhos olhando para o seu
céu. Sorriu. Depois dormiu.
Daniel Aguiar
quarta-feira, 13 de junho de 2012
O homem, a lua e a flor...a(m)(d)or
hoje não quero ser seu homem
nem nome hoje eu quero ter
minha flor voou num tufão
de um vento que eu mesmo soprei
e a colorida flor chorando
caiu nas mãos de um jardineiro
moço nobre, fino trato
que repetalou a triste flor
dor de flor dura tão pouco
- a do homem é bem maior
(mas começa bem depois)
e mesmo sem a ver
o homem sente a-flor-ar
voando. E fica (um pouco)
perdido na imensidão do céu
e numa hora ou (e) outra
chorava. Via um longo negro
que nem estrela pont-ilhava
ai ele percebia
que a lua era ela passando amarela
e o sorriso blasé mostrava
a falta que a flor inda fazia
Daniel Aguiar
quarta-feira, 7 de março de 2012
Tout peut s'oublier
a ida tava feia
minha casa tava vazia
cheinha de um eco teu
que graça me fazia
cozer nossa realidade crua
ao silêncio e à luz da lua
aos berros que teus olhos gemiam
afiado seu corpo rasgava
minha pele que por fora te tocava
quando cansado seu sorriso vinha
e por dentro me cosia
eu não queria muito
só a falta do teu vazio
eu queria,
agora,
eu que ria
Daniel Aguiar
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Vontades urgentes
-Belas noites me desejo,
[sou sincero]
Mas falta tempo
Falta espaço
Sobra sol, falta mormaço
logo, em dezembro
vou abrir a janela
detalhar o cansaço
[Soltando as mãos]
largando ais
deitar no ar
e nada (há) mais
Daniel Aguiar.
Feedback e Retórica
amor que não cabe nos olhos
não caberá no coração
meus olhos são pequenininhos
- estou só!
Daniel Aguiar
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Poema 44
toda segunda eu penso que é terça
a parte que eu preciso expulsar de mim
para ser completo
toda terça eu sinto que a quarta
corda do cello soa mais
como a vida
toda quarta noite de quinta
eu prometo mudar o programa
(ou o canal, talvez)
toda quinta eu ouço a sexta
de Tchaikovsky com meu corpo
vagando no rar(o)efeito mar de sensações
sábado, sim, é dia de feira
todo domingo sento na cama
como quem não quer nada
e começo a escrever poeminhas de segunda
Daniel Aguiar.
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