segunda-feira, 27 de junho de 2011

Le mond tourne lui même

Ontem a manhã me acordou
(brisa, mormaço no fim)
Votos de um bom futuro
Promessas de eu para mim

(VERSO AINDA NÃO ESCRITO)

Que sonhar é fazer
Fazer é tornar
Tornar é reconhecer
Conhecer faz amar

Há males que vem para o bem
(há bens que é preciso deixar)
"laissez faire, laissez passer"
Gira o mundo
Sem parar


Daniel Aguiar.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Aos meus progenitores

De um levo os sonhos
Do outro a sensatez
Assim piso cada passo
Não ando de uma só vez
De um levo a firmeza
Por outro sou pura emoção
Por um vou em meio a massa
Por outro pela observação
De um X levo a vontade
De um Y a precaução
Lado de um... Metade de outro...
Dos dois: pequena porção

Daniel Aguiar. (primavera, 2009)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Decurso

No afago do teu peito
Me deito caído
Traído no próprio descuido
Acudido nesses braços
Veludo

Ver lado a lado escondido
Preso no apresso do peito
Do peito caído
Do peito desfeito
Refeito emoção

Daniel Aguiar.

Temperar o insoso



Daniel Aguiar.

sábado, 28 de maio de 2011

Sem Cessar

ser pensante
ser vivente
ser amante
ser vidente
pra vida vadia
dor vigente passando
vigia vigia
ser suserania
servir ser humano
ser vil é custoso
prazer ledo engano
tedioso séquito
melhor ir voando

Daniel Aguiar

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Acordei, (zumbi em) zombei de mim

Acordei. Costumeiramente montei meu sanduíche de pão sírio, peito de peru e cheddar. Um cappuccino pra acompanhar. Com os olhos já realmente abertos percebo uma estranha sensação. Sinto-me um zumbi, cópia de mim mesmo – sem ato ou reflexo – caminhando pela imensidão arquitetônica, meu cárcere isolante de outros mundos. A janela mostra o quadro ilusório e dinâmico, objeto da minha sedução. Cedo é o pensamento voando, volando por el aire, rarefeito. Pensamentos desfeitos em poesia que agora assopro os versos. Ali mesmo o refugo da alma defenestrei... Longe. Longo passa o tempo. Vendo uma nuvem sorrir a mim – ou seria de mim? – lanço ao universo: quantas horas cabem num segundo? Hesito continuar a contemplação assassina de meus deveres. Olho para trás; para dentro. A solidão dança com os pés soltos pelos curtos aposentos. Tudo é solidão. As fotos já não me conversam. Sigo pelo corredor, sempre à meia-luz, e o bolo na cozinha me chama. Mais uma vez hesito – não quero mais cinco quilos de ansiedade e solidão. A mesa posta de livros aponta meu rosto e grita solista: sente-se querido. E aqui me recolho, pois minhas vontades urgentes não passam ao decote do restante. O solilóquio recomeça.

Daniel Aguiar.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Que no olvido

A dona que se dane
A lua que me instrua
A poesia é quem me cria
Pois
A fome me consome
Se não tenho apetite para saciá-la

Daniel Aguiar

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